O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, monitora a situação no Irã “de perto” e não descarta o uso de força militar contra o regime devido à repressão violenta aos protestos antigovernamentais.
A informação foi repassada nesta quinta-feira (15) por Karoline Leavitt, secretária de imprensa da Casa Branca, que pontuou que Trump “mantém todas as opções na mesa” ao ser questionada sobre que tipo de ação ele poderia tomar contra o Irã.
Recentemente, Trump recebeu uma série de opções, incluindo ataques aéreos contra instalações de segurança iranianas, de acordo com apuração da CNN. Parte da equipe do presidente também avalia a possibilidade de realizar ataques cibernéticos.
De toda forma, na quarta-feira (14), o líder dos EUA pareceu amenizar o discurso, afirmando que recebeu informações de que “a matança” está parando no Irã e que não há planos para execuções.
“Não há nenhum plano para execuções, nem haverá nenhuma execução. Recebi essa informação de uma fonte confiável. Vamos nos informar. Tenho certeza de que, se isso acontecer, ficarei muito chateado”, pontuou.
Na coletiva de imprensa desta quinta, Leavitt pontuou que o governo Trump alertou os iranianos de que haveria “graves consequências” se as mortes relacionadas aos protestos não pararem.
Entenda os protestos no Irã
Protestos antigoverno no Irã eclodiram no país no final de dezembro, em uma onda de agitação nacional que representa o maior desafio ao regime em anos.
Os protestos começaram como manifestações nos bazares de Teerã contra a inflação desenfreada, mas se espalharam pelo país e se transformaram em manifestações mais gerais contra o regime.
As preocupações com a inflação atingiram o auge na semana passada, quando os preços de produtos básicos como óleo de cozinha e frango dispararam dramaticamente da noite para o dia, com alguns produtos desaparecendo completamente das prateleiras.
A situação foi agravada pela decisão do banco central de encerrar um programa que permitia a alguns importadores acessar dólares americanos mais baratos em comparação ao restante do mercado – o que levou lojistas a aumentarem os preços e alguns a fecharem suas portas, iniciando os protestos.
A decisão dos bazaaris, como são conhecidos, é uma medida drástica para um grupo tradicionalmente alinhado à República Islâmica.
O governo liderado por reformistas tentou aliviar a pressão ao oferecer transferências diretas de quase US$ 7 por mês, mas a medida não conseguiu conter a insatisfação.
As autoridades cortaram o acesso à internet e as linhas telefônicas na quinta-feira (8) – a maior noite de manifestações nacionais até agora – deixando o Irã praticamente isolado do mundo exterior.
Organizações de direitos humanos disseram que centenas de pessoas foram mortas desde o início dos protestos.
Enquanto isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou atacar o Irã se as forças de segurança responderem com força. O líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, pediu a Trump que “foque em seu próprio país” e culpou os EUA por incitarem os protestos.
