Equipes médicas locais afirmaram que forças israelenses mataram pelo menos sete palestinos em ataques separados na Faixa de Gaza na quinta-feira (8), horas após os militares terem informado que atingiram o local de um lançamento fracassado de foguetes militantes, a mais recente violência que colocou em risco o cessar-fogo.
De acordo com os profissionais de saúde, um ataque aéreo israelense matou no mínimo quatro pessoas e feriu outras três, incluindo crianças, em uma tenda na área oeste de Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza. Outro ataque matou uma pessoa a leste da cidade, perto de onde as forças israelenses atuam.
Em seguida, os médicos disseram que um homem foi morto em um ataque israelense a uma escola, que também abrigava famílias deslocadas em Jabalia, ao norte do “enclave”, enquanto outro ataque matou outra pessoa em uma tenda próxima a Deir Al-Balah, na Faixa de Gaza central.
Não houve comentários imediatos israelenses sobre as mortes relatadas.
Momentos antes, os militares haviam informado que atingiram um local de lançamento logo após o disparo de um foguete que não alcançou território israelense. Também acusaram o Hamas de violar o cessar-fogo duas vezes nas últimas 24 horas. Uma fonte do grupo militante palestino declarou à Reuters que estava verificando a alegação.
Já um cessar-fogo acordado em outubro não avançou além da primeira fase, na qual os principais combates foram interrompidos, Israel se retirou de menos da metade de Gaza e combatentes do Hamas libertaram reféns vivos e restos mortais em troca de palestinos detidos.
Em fases futuras ainda a serem definidas, o plano do presidente dos EUA, Donald Trump, prevê o desarmamento do Hamas, a retirada de Israel ainda mais e uma administração apoiada internacionalmente reconstruindo Gaza.
No entanto, pouco progresso foi feito nos próximos passos. Mais de 400 palestinos e três soldados israelenses foram relatados como mortos desde que o cessar-fogo entrou em vigor, e quase todos os mais de 2 milhões de habitantes de Gaza agora vivem em casas improvisadas ou prédios danificados em uma pequena faixa de território onde as tropas israelenses se retiraram e o Hamas retomou o controle.
Israel aguarda a entrega do órgão final prevista para a fase inicial da trégua. Um funcionário israelense próximo ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu contou que Israel não avançará para a próxima fase do cessar-fogo até que o Hamas devolva os restos mortais do último refém israelense ainda mantido em Gaza.
O governo israelense ainda não abriu a passagem de Rafah entre Gaza e Egito, outra condição do plano apoiado pelos EUA, dizendo que só o fará quando os restos mortais forem devolvidos.
Cessar-fogo
Israel e o Hamas se acusaram mutuamente de grandes violações do acordo de cessar-fogo e continuam distantes quanto às etapas mais difíceis previstas para a próxima fase. Ao mesmo tempo, prosseguiram os ataques aéreos e as operações direcionadas em toda Gaza.
O Exército israelense afirmou que vê “com a máxima severidade” qualquer tentativa de grupos militantes no território de atacar o país.
Um funcionário do Hamas disse à Reuters que o grupo documentou mais de 1.100 violações do cessar-fogo por Israel desde outubro e pediu aos mediadores que intervirem. As violações incluem mortes, feridos, ataques de artilharia e aéreos, demolições de residências e detenção de pessoas.
Mesmo assim, o grupo Hamas rejeita o desarmamento e segue reafirmando seu controle, enquanto Israel avisou que retomará a ação militar caso o grupo não se desarme pacificamente.
Segundo dados israelenses, militantes liderados pelo Hamas mataram cerca de 1.200 pessoas e sequestraram outras 251 em um ataque a Israel em 7 de outubro de 2023. Desde então, mais de 71 mil palestinos foram mortos na ofensiva israelense em Gaza, de acordo com o Ministério da Saúde do território.
[Reportagens de Jana Choukeir em Dubai e Nidal al Mughrbai no Cairo; Escrito por Tala Ramadan; Edição de Gareth Jones, Peter Graff e Andrew Heavens]
