Europeus votarão judicialização do Mercosul-UE dias após assinatura


O Parlamento Europeu marcou para a próxima quarta-feira (21) a votação de dois pedidos de eurodeputados para levar o acordo de livre comércio Mercosul-UE à avaliação do Tribunal de Justiça da União Europeia – dias após a assinatura do tratado, marcada para sábado (17).

O Tribunal avalia os fundamentos jurídicos do acordo. Caso a Corte dê parecer negativo sobre o tratado, suas regras não podem entrar em vigor a menos que seu conteúdo seja alterado.

Mesmo que o Tribunal não barre o acordo, a aprovação do pedido de judicialização significaria atrasar o acordo negociado há mais de 26 anos. Este tipo de avaliação pela Corte costuma durar em torno de 16 e 18 meses, segundo informações da UE.

É necessária maioria simples para aprovar o pedido no Parlamento, formado por 720 eurodeputados. Os países que rejeitaram o acordo no Conselho Europeu (colegiado de chefes de Estado da UE) somam cerca de 30% dos parlamentares – mas a heterogeneidade interna das bancadas deve ser considerada.

Após a assinatura do acordo, marcada para acontecer em Assunção, capital paraguaia (país que tem a presidência rotativa do Mercosul), ele ainda precisa passar por um processo de ratificação interna, pelos legislativos de ambos os blocos, para começar a valer.

O tratado foi “dividido” em duas partes, comercial e política. A primeira, que traz as reduções tarifárias e livre comércio, tem trâmite facilitado: não é necessário aprovação por cada um dos parlamentos nacionais da UE, somente do Parlamento Europeu, por maioria simples (50% dos votos mais um).

Também é necessário que os parlamentos nacionais do Mercosul o aprovem. Uma cláusula inserida no acordo garante, contudo, que caso o Congresso Nacional brasileiro dê seu aval – assim como o Parlamento Europeu – o tratado já pode vigorar, sem necessidade de outros sul-americanos deliberarem.

O presidente da CRE (Comissão de Relações Exteriores), Nelsinho Trad, afirmou em entrevista à CNN que os trabalhos no Congresso visam aprovar o Mercosul-UE até julho de 2026, para que o livre comércio esteja em vigo no segundo semestre deste ano.

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