O Banco Central decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. por graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
O analista de Economia da CNN Brasil, Fernando Nakagawa, explicou que Banco Master e a gestora de investimentos REAG atuavam em conjunto em um esquema de fraudes para inflar artificialmente seus balanços, segundo informações de investigações do Ministério Público e da Polícia Federal.
De acordo com Nakagawa, as duas instituições já vinham sendo investigadas por outros problemas, incluindo suspeitas de que a REAG teria acobertado operações do crime organizado.
Como funcionava o esquema fraudulento
O mecanismo da fraude começava com investidores comuns aplicando dinheiro em CDBs do Banco Master. A instituição então emprestava esses recursos para empresas laranjas, que por sua vez investiam nos fundos da REAG. Esta última reavaliava artificialmente seus ativos, muitos deles considerados “podres”, aumentando significativamente seu valor declarado.
“A REAG, então, pegava esse dinheiro que recebeu dessa empresa laranja e, olha só, investia novamente no Master. Ou seja, o dinheiro voltava para a sua origem”, explicou Nakagawa. Este ciclo permitia ao Banco Master melhorar artificialmente seu balanço, enquanto a REAG recebia comissões pelas operações fraudulentas.
Os principais prejudicados no esquema foram os investidores que aplicaram recursos no Banco Master e os cotistas originais dos fundos da REAG, que viram seus investimentos comprometidos por ativos supervalorizados ou sem valor real. Por outro lado, os beneficiários incluíam o próprio Banco Master, seus acionistas, as empresas laranjas utilizadas no esquema e a REAG.
Repercussões políticas incomuns
Fernando Nakagawa destacou um aspecto peculiar do caso: a repercussão política inusitadamente intensa. “O que está acontecendo neste caso é algo muito maior. Por que a política tem tanto interesse? Por que a justiça tem tanto interesse? Essas respostas ainda não foram dadas”, questionou.
O analista ressaltou que, diferentemente de liquidações bancárias anteriores no Brasil, onde as reações se limitavam aos próprios bancos e seus clientes, este caso tem provocado manifestações intensas no meio político. “Nunca o mundo político, nunca Brasília reagiu de maneira tão vocal como está sendo agora”, afirmou Nakagawa, sugerindo que podem existir conexões ainda não reveladas pelas investigações em andamento.
