O escândalo do Banco Master está provocando uma crise institucional de graves proporções. Instituições brasileiras ligadas à política — entre elas o STF (Supremo Tribunal Federal) — já vêm sofrendo, há tempos, uma perda significativa de credibilidade, processo que os acontecimentos em torno do banco vêm acelerando.
Até o momento, não há explicação convincente para o envolvimento do STF na investigação do escândalo, ainda mais sob sigilo máximo. Da mesma forma, não se apresenta justificativa plausível para o fato de o TCU (Tribunal de Contas da União) ter, na prática, arrogado para si o direito de investigar o investigador, isto é, o Banco Central — também sob total sigilo.
A crise institucional não decorre do simples fato de um órgão averiguar o que outro faz ou deixa de fazer, pois isso está previsto na legislação e garantido pela Constituição. O problema reside no fato — demonstrado pela forte reação da sociedade civil organizada — de que não se acredita nos motivos alegados pelo STF e pelo TCU para justificar suas atuações no caso.
Em outras palavras, suspeita-se de que instituições de Estado não estejam agindo como instituições de Estado, mas sim como instrumentos em uma campanha de pressão política contra a autoridade monetária, em razão de esta ter liquidado um banco privado cuja atuação a Polícia Federal aponta como fraudulenta. Um banco que teria feito da compra de influência nas instituições da República a chave de sua longa sobrevivência, até a explosão do escândalo.
A sensação generalizada é a de podridão política, marcada por falta de pudor e atrevimento em escala inédita para um país que acreditava já ter visto de tudo em matéria de corrupção. Acreditava.
