O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, sinalizou nesta sexta-feira (23) a possível remoção das tarifas adicionais de 25% sobre a Índia, após uma forte redução nas importações indianas de petróleo russo.
As tensões comerciais aumentaram em agosto, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, dobrou as tarifas sobre produtos indianos para 50%, incluindo uma taxa de 25% em resposta às importações indianas de petróleo bruto russo.
“As compras de petróleo russo pelas refinarias indianas despencaram. Isso é um sucesso. As tarifas ainda estão em vigor, as tarifas de 25% sobre o petróleo russo ainda estão em vigor. Imagino que haja um caminho para eliminá-las”, disse Bessent em entrevista à Politico no Fórum Econômico Mundial.
As importações indianas de petróleo russo caíram em dezembro para o nível mais baixo em dois anos, elevando a participação da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) nas importações indianas de petróleo para o maior patamar em 11 meses, informou a Reuters na sexta-feira, citando dados comerciais.
As declarações de Bessent surgiram em meio à crescente pressão de Trump, que anteriormente havia alertado que as tarifas poderiam aumentar ainda mais, a menos que a Índia reduzisse suas compras de petróleo russo.
Fontes comerciais informam que as refinarias indianas estão recalibrando suas estratégias para se afastar da Rússia, seu principal fornecedor, e aumentar as importações do Oriente Médio, uma medida que poderia ajudar Nova Délhi a fechar um acordo comercial com os Estados Unidos para reduzir as tarifas.
A Indian Oil Corp, principal refinaria da Índia, comprou 7 milhões de barris de petróleo, incluindo da brasileira Petrobras, para carregamento em março, a fim de substituir o petróleo russo, informaram duas fontes familiarizadas com o assunto à Reuters.
A refinaria adquiriu 1 milhão de barris do tipo Murban de Abu Dhabi da Shell e 2 milhões de barris de Upper Zakum da trader Mercuria, disseram as fontes. A IOC também adquiriu 1 milhão de barris de Hungo e 1 milhão de barris de Clove de Angola da Exxon, acrescentaram.
A IOC também comprou 2 milhões de barris de petróleo de Búzios, da Petrobras, de acordo com seu contrato opcional que oferece flexibilidade para fechar um acordo em termos mutuamente acordados, disseram as fontes.
