As exportações de petróleo venezuelano, no âmbito de um acordo de fornecimento de US$ 2 bilhões com os EUA, atingiram cerca de 7,8 milhões de barris nesta quarta-feira (21), segundo dados de rastreamento de navios e documentos da estatal PDVSA. Os embarques aceleraram após os EUA flexibilizarem o bloqueio, mas não o suficiente para que a PDVSA revertesse completamente os cortes na produção.
Após a prisão de Nicolás Maduro pelos EUA no início de janeiro, sob ordem de Donald Trump, Caracas e Washington concordaram com um acordo para vender até 50 milhões de barris de petróleo bruto venezuelano armazenados em tanques e navios. As empresas de trading Vitol e Trafigura obtiveram as primeiras licenças americanas para carregar e exportar cargas do país membro da OPEP.
No entanto, o fornecimento ainda não aliviou significativamente os estoques elevados da PDVSA, que cresceram durante o bloqueio americano às exportações de quase um mês e deixou a Venezuela com dezenas de milhões de barris de petróleo armazenados em terra e em petroleiros carregados encalhados em águas venezuelanas.
A gigante energética PDVSA, que no início de janeiro reduziu a produção por não ter mais onde armazenar o petróleo, ainda não reverteu totalmente esses cortes, pois aguarda a queda dos níveis de armazenamento, de acordo com documentos e fontes da empresa.
As vendas têm sido lentas, porque as refinarias se recusam a pagar os preços que as empresas de trading exigem pelo petróleo, disseram fontes familiarizadas com as negociações. Dificuldades na transferência e no armazenamento do petróleo retido em outros locais também têm dificultado o fluxo, acrescentaram.
As ofertas do petróleo bruto pesado Merey, principal produto da Venezuela, para refinarias americanas começaram na semana passada com um desconto entre US$ 6 e US$ 7,50 por barril em relação ao Brent. Esse valor estava acima dos preços do petróleo bruto canadense, que é de qualidade similar e facilmente disponível, não dando às refinarias incentivo para optar pelo petróleo venezuelano.
A Vitol e a Trafigura também fizeram ofertas a refinarias indianas com descontos de US$ 8 a US$ 8,50 por barril em relação ao Brent. Essa oferta também despertou pouco interesse. As empresas de trading aumentaram recentemente os descontos para cerca de US$ 9 por barril, mas ainda não observaram muito interesse por parte dos compradores, disseram fontes do setor.
Os EUA continuam apreendendo petroleiros ligados à Venezuela no Caribe, acrescentaram as fontes.
A Vitol e a Trafigura se recusaram a comentar. A PDVSA não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários. O governo de Curaçao confirmou na semana passada que petróleo venezuelano estava sendo armazenado no país.
Na semana passada, autoridades americanas disseram que cerca de US$ 500 milhões provenientes das primeiras vendas de petróleo seriam depositados em um fundo controlado pelo governo dos EUA.
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse à Reuters na sexta-feira (16) que essas vendas iniciais foram negociadas a um “preço justo” de cerca de US$ 45 por barril para a Venezuela, o que representa entre 11 e 12 milhões de barris a serem distribuídos por meio das empresas de comercialização.
Não estava claro qual mecanismo Washington usaria para as vendas futuras, a fim de atingir o fornecimento anunciado de 50 milhões de barris, mas muitos parceiros e clientes da PDVSA aguardam as licenças americanas para retomar ou expandir as exportações.
Partidas lentas
Desde que os dois primeiros petroleiros partiram das águas venezuelanas em 12 de janeiro rumo a terminais de armazenamento nas Bahamas e em Santa Lúcia, no Caribe, outras cinco embarcações os seguiram, transportando petróleo bruto venezuelano para esses portos e para o terminal de Bullen Bay, em Curaçao, segundo dados de navegação.
Além dos carregamentos fretados pelas empresas de trading, a única outra companhia que atualmente exporta petróleo bruto venezuelano é a Chevron, principal parceira da PDVSA em joint venture, que acelerou os embarques para cerca de 221.000 barris por dia (bpd) neste mês, ante 100.000 bpd em dezembro, de acordo com os dados.
Os volumes de exportação das empresas de trading atingiram cerca de 780.000 bpd desde 12 de janeiro, quando começaram a movimentar carregamentos sob licenças dos EUA. Isso elevou as exportações para cerca de 1 milhão de bpd, próximo aos níveis normais, mas longe de descongestionar os estoques acumulados.
Os preços do petróleo subiram na quarta-feira (21) devido ao otimismo em relação à redução da oferta após a paralisação temporária de dois grandes campos no Cazaquistão e ao fato de os volumes de exportação de petróleo venezuelano evidenciarem o lento progresso na reversão dos cortes de produção da PDVSA.
A produção de petróleo bruto da Venezuela caiu para cerca de 880 mil barris por dia no início de janeiro, ante 1,16 milhão de barris por dia no final de novembro, após os cortes de produção da PDVSA, que se concentraram principalmente na principal região petrolífera do país, a Faixa do Orinoco.
Alguns campos petrolíferos começaram a retomar a produção nos últimos dias, mas a maioria das áreas permanece abaixo da capacidade, conforme fontes da empresa.
