A política externa de Donald Trump na América Latina sempre foi marcada pela imprevisibilidade e pela força. No centro dessa estratégia, o confronto com a Venezuela de Nicolás Maduro se tornou um ponto focal. Mas qual o arcabouço ideológico por trás dessa pressão intensa? Segundo o ex-embaixador Rubens Barbosa, a resposta reside no ressurgimento da controversa Doutrina Monroe, aplicada por Trump de forma unilateral. Ele define a abordagem como a perigosa ‘lei do mais forte’, uma tática que ignora o multilateralismo e impõe a vontade americana. Este artigo explora a fundo a análise de Barbosa, detalhando como as ações de Trump escalaram a crise na Venezuela e o que isso significa para o futuro da soberania regional. Prepare-se para entender a dimensão histórica e contemporânea deste embate geopolítico.
A Estratégia de Trump: Pressão Máxima Contra a Venezuela
A administração Donald Trump adotou uma postura de ‘pressão máxima’ com o objetivo declarado de forçar a saída de Nicolás Maduro do poder. Essa estratégia não se limitou a declarações, mas envolveu um aparato complexo de sanções econômicas e ameaças diplomáticas. Trump enxergava o regime de Maduro como uma ameaça direta à estabilidade hemisférica e aos interesses dos Estados Unidos. A Venezuela se tornou, para Washington, o principal palco de uma demonstração de força renovada no continente americano. As sanções atingiram diretamente o setor petrolífero venezuelano, a principal fonte de receita do país, exacerbando a crise humanitária já existente. Essas medidas foram amplamente criticadas por impactar a população civil, mas defendidas pelo governo Trump como ferramentas necessárias para restaurar a democracia.
A Agressividade Unilateral contra Nicolás Maduro
A característica mais marcante da política de Trump para a Venezuela foi a rejeição do diálogo multilateral em favor de ações unilaterais e impositivas. O ex-embaixador Rubens Barbosa aponta essa unilateralidade como a essência da ‘lei do mais forte’. Em vez de buscar soluções coordenadas através da OEA ou de grupos regionais, Trump priorizou as ameaças de intervenção militar e o reconhecimento imediato de Juan Guaidó como presidente legítimo. Essa agressividade diplomática rompeu com práticas regionais de longa data. O uso crescente de retórica belicista por parte de Trump alarmou vizinhos e parceiros, que temiam uma desestabilização ainda maior na fronteira. A postura dos Estados Unidos deixava claro: Washington definiria os termos da crise venezuelana.
A Ressurreição da Doutrina Monroe
A Doutrina Monroe, formulada em 1823, estabelecia que qualquer intervenção europeia nas Américas seria vista como um ato de agressão. Historicamente, contudo, ela serviu como justificativa para intervenções e hegemonia dos EUA na região, transformando-se de escudo em espada. Donald Trump e seu secretário de Estado, Mike Pompeo, fizeram referências explícitas à Doutrina Monroe, tirando-a do limbo histórico. Eles a usaram como um pilar ideológico para justificar a forte oposição ao regime de Maduro, alegando que Cuba, Rússia e China estavam intervindo em ‘nosso quintal’. Para Rubens Barbosa, esse resgate ideológico é crucial. Ele simboliza o abandono da política de ‘boa vizinhança’ e o retorno a um modelo onde a soberania dos países latino-americanos é secundária em face dos interesses estratégicos de Washington.
Monroe: De Doutrina a ‘Lei do Mais Forte’
A interpretação de Barbosa é que a Doutrina Monroe, na mão de Trump, deixou de ser um princípio geopolítico e se transformou puramente na ‘lei do mais forte’. Esta lei pressupõe que o poder militar e econômico justifica a imposição de uma solução externa. Não se trata apenas de expulsar influências externas, mas sim de ditar quem deve governar na Venezuela e como. A falta de respeito pelos mecanismos internos de resolução de conflitos venezuelanos é vista como a maior evidência dessa postura hegemônica. Essa abordagem não apenas isola o regime de Maduro, mas também tensiona as relações dos EUA com países aliados na América do Sul, que preferem abordagens negociadas e não intervencionistas para a crise na Venezuela.
Implicações Regionais e o Papel do Brasil
O uso da Doutrina Monroe por Donald Trump teve profundas implicações para a geopolítica regional. A crise na Venezuela deixou de ser um problema local e se transformou em um teste de força entre potências, com o risco de contágio para os vizinhos. O Brasil, especialmente sob a gestão de Bolsonaro, alinhou-se em grande parte à postura americana de pressão contra Maduro, embora com ressalvas quanto à intervenção militar. Esse alinhamento colocou o Brasil em uma posição delicada, equilibrando a pressão diplomática com a necessidade de gestão da crise migratória na fronteira. A análise de Rubens Barbosa serve como um alerta para a região: a aceitação passiva da ‘lei do mais forte’ abre precedentes perigosos para futuras intervenções. A estabilidade hemisférica depende do respeito mútuo e do diálogo, e não da imposição unilateral de grandes potências.
Conclusão
A afirmação do ex-embaixador Rubens Barbosa – de que Donald Trump utilizou a Doutrina Monroe como ‘lei do mais forte’ contra a Venezuela – encapsula a natureza conflituosa e unilateral da política externa americana naquele período. O embate com Nicolás Maduro não foi apenas político, mas ideológico, resgatando fantasmas históricos de intervenção. O legado dessa abordagem é um continente mais polarizado e uma crise humanitária aprofundada. Para evitar que a ‘lei do mais forte’ prevaleça, a América Latina precisa reforçar suas instâncias de diálogo e defender vigorosamente o princípio da não-intervenção. Qual a sua opinião sobre a política de Trump na Venezuela? Você acredita que a Doutrina Monroe ainda tem cabimento no século XXI? Deixe seu comentário abaixo e participe da discussão sobre o futuro da soberania regional!
