PF segue incomodada com decisões de Toffoli


A Polícia Federal continua incomodada com a sequência de decisões do ministro Dias Toffoli sobre os desdobramentos do caso Master. Segundo apuração de Isabel Mega, ao Live CNN, a instituição considera que há um “vaivém” nas determinações que prejudica o andamento das investigações.

“Na prática, essa sucessão de decisões só deixou a PF ainda mais incomodada, não teve nada que deu uma distensionada”, afirmou a analista.

De acordo com fontes da PF, há uma preocupação com o que chamam de “senso de oportunidade” perdido após a operação realizada esta semana. Na avaliação dos investigadores, o acesso imediato aos materiais apreendidos é crucial para o avanço do caso, o que não ocorreu devido às mudanças nas decisões sobre como e onde os itens seriam periciados.

“Esse senso de oportunidade tem que ser aproveitado de imediato. Isso já ficou para trás, porque nesse vai e vem de decisões, na prática, ainda não houve o acesso para que essa perícia pudesse começar”, explicou Isabel Mega, citando fontes da corporação.

Questionamento sobre a atuação do ministro

Um dos principais pontos de insatisfação da Polícia Federal é o entendimento de que o ministro Dias Toffoli estaria extrapolando seu papel. Segundo os investigadores, o magistrado estaria saindo da “inércia esperada para um juiz” e assumindo uma postura quase de investigador ao definir passos que não seriam considerados naturais no processo.

“Ainda estamos em uma fase inicial das investigações, estamos no cumprimento de dirigências, mas, a coisa já se mostrou bastante cabeluda, com muitas camadas. Então, neste momento, não cabe ter uma ação que, na avaliação de membros da PF, pode ser interpretada como uma intervenção na investigação, com o juiz pegando para si esse papel também de definir passos que não seriam naturais, quase como investigador”, relatou Mega.

A situação ganhou novos contornos após a operação Compliance, quando houve uma série de decisões contraditórias sobre o destino dos materiais apreendidos. Inicialmente, foi determinado que fossem lacrados e enviados ao Supremo, contrariando o procedimento habitual de perícia na própria Polícia Federal. Posteriormente, outras decisões alteraram novamente o rito, incluindo a seleção específica de peritos da PF para análise do material, o que também foi considerado um procedimento anormal pelos investigadores.

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